Toronto 2015

Feitos históricos, decepções e dúvidas: o saldo do Pan de Toronto para o Brasil

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O handebol masculino comemora a suada medalha de ouro, conquistada após prorrogação contra a Argentina. Crédito: Washington Alves/Exemplus/COB
O handebol masculino comemora a suada medalha de ouro, conquistada contra a Argentina. Crédito: Washington Alves/Exemplus/COB

Daqui a poucas horas, será encerrado oficialmente a edição dos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Mas mesmo antes da cerimônia que fechará a festa esportiva das Américas, bem como a disputa da medalha de ouro no vôlei masculino entre Brasil e Argentina, já é possível fazer um balanço geral do resultado esportivo do evento. E se esteve longe de ser uma competição inútil como alguns críticos chegaram a dizer, o Pan 2015 para o esporte olímpico brasileiro precisa ser encarado de forma realista, sem se deixar levar por bons resultados que podem ser enganosos.

Além disso, para algumas modalidades, os resultados de Toronto serviram para ligar um sinal de alerta preocupante, a praticamente um ano dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

As irmãs Luana e Lohaynny Vicente em ação na final de duplas do badminton em Toronto. Crédito: Jonne Roriz/COB
As irmãs Luana e Lohaynny Vicente em ação na final de duplas do badminton em Toronto. Crédito: Jonne Roriz/COB

Vamos começar pelos fatos positivos: para várias modalidades, os Jogos Pan-Americanos trouxeram marcas jamais alcançadas. Um exemplo disso ocorreu em um esporte quase fantasma no Brasil, o badminton, que pela primeira vez conquistou duas medalhas de prata, uma na dupla masculina, com Hugo Arthuso e Daniel Paiola, e outra na feminina, pelas irmãs Lohaynny e Luana Vicente. Houve ainda a conquista de uma de bronze na dupla mista, com Alex Tjong e Lohaynny Vicente.

Também não é possível deixar passar batido o excepcional desempenho da canoagem, tanto de velocidade quanto slalom, que faturou em Toronto nada menos do que 14 medalhas, três delas de ouro (duas com Isaquias Queiroz, na velocidade, e uma com Ana Sátila, na slalom), feito nunca obtido antes na história brasileira no Pan. Assim como inédito foi a conquista de Joice Silva, com o ouro na luta olímpica modalidade livre (até 58 kg) e a prata de Ingrid de Oliveira e Giovanna Pedroso nos saltos ornamentais, na prova da plataforma 10 m sincronizada.

Isaquias Queiroz, durante a prova do C1 1000m, que lhe deu o ouro no Pan de Toronto. Crédito: COB
Isaquias Queiroz, durante a prova do C1 1000m, que lhe deu o ouro no Pan de Toronto. Crédito: COB

E o que dizer então da brilhante presença do tênis de mesa e suas nova medalhas, entre elas a inédita prata no individual feminino, com a chinesa naturalizada brasileira Gui Lin? O ciclismo pista o Brasil quebrou um jejum de 20 anos sem medalhas, com o bronze por equipe na prova de velocidade.

O Pan de Toronto trouxe também alguns feitos esperados, porém nem por isso menos brilhantes, como foi a prata de Fabiana Murer no salto com vara, uma prova com nível altíssimo e que teve marcas superiores às da final olímpica em Londres 2012, vencida pela cubana Yarisley Silva, com uma ótima marca de 4,85 m; o recorde absoluto de  Thiago Pereira, maior vencedor da história do Pan (23medalhas); o ouro inédito de Etiene Medeiros, o primeiro da natação feminina; a ótima marca de Felipe França no ouro dos 100 m peito; o ouro do handebol feminino, faturando um inédito pentacampeonato pan-americano; e a agradável surpresa com a conquista do basquete masculino, mostrando um jogo consistente e eficiente, mesmo sem suas principais estrelas.

Mas o Pan de Toronto também mostrou momentos decepcionantes do esporte olímpico brasileiro…

A maior preocupação encontra-se no atletismo, onde a participação brasileira foi decepcionante. Ao contrário do que ocorreu no Pan de 2001, em Guadalajara, onde faturou 23 medalhas (10 de ouro), em Toronto foram 13, sendo apenas uma de ouro, com Juliana dos Santos, nos 5.000 m. E a principal preocupação acabou ficando justamente nas provas de velocidade, onde com exceção do revezamento 4 x 100 m, que levou a prata, colecionou fracassos.

Também deixaram o Canadá com sentimento de frustração as equipes do remo – com a medalha de prata de Fabiana Beltrame no skiff individual peso leve feminino -, o boxe (com somente duas de bronze), o taekwondo (com duas de bronze, entre as mulheres) e desempenhos ruins nos combates, o hipismo saltos (pela primeira vez sem medalhas desde o Pan de Mar del Plata 1995) e o tênis (igualmente passou em branco em Toronto). A própria vela, com seis medalhas (duas de ouro), deixou a desejar no Canadá.

Erika Miranda comemora sua vitória na final da categoria 52 kg do judô, no Pan de Toronto. Crédito: Ministério do Esporte
Erika Miranda comemora sua vitória na final da categoria 52 kg do judô, no Pan de Toronto. Crédito: Ministério do Esporte

E até mesmo o vitorioso judô, que ganhou 13 medalhas no Pan 2015 (cinco delas de ouro), também voltou para casa um tanto frustrado, em parte por causa da meta ousada de medalhar em todas as categorias e de ver muitos de seus principais astros voltarem superados na final, como Mayra Aguiar e Felipe Kitadai, ou mesmo caindo na semifinal, casos de Rafaela Silva e Maria Portela.

Por fim, o COB (Comitê Olímpico do Brasil), que diz ter gasto R$ 10 milhões em toda a preparação da equipe brasileira em sua campanha pan-americana, fica um ponto de interrogação ao final da festa em Toronto. Pois embora tenha alcançado a meta de ficar no top 3 do quadro de medalhas, atrás somente dos Estados Unidos e Canadá, e tenha também ficado à frente de Cuba pela primeira vez em mais de 50 anos, um fato é inegável: conquistamos as mesmas 141 medalhas de Guadalajara, com o agravante de ter menos ouros, 48 contra 41 este ano (ou 42, dependendo do vôlei masculino). Sinal de que apesar de tanto dinheiro investido no esporte brasileiro, praticamente não saímos do lugar.

Que tudo sirva de lição para que o balanço ao final dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 seja ainda melhor.

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O grande salto do tênis de mesa do Brasil no Pan-Americano

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Gui Lin tornou-se a primeira brasileira disputar uma final de Pan-Americano no individual do tênis de mesa. Crédito: ITTF
Gui Lin tornou-se a primeira brasileira disputar uma final de Pan-Americano no individual do tênis de mesa. Crédito: ITTF

Até este sábado (25), o máximo de medalhas que o Brasil havia conquistado em uma edição de Jogos Pan-Americanos foram as seis obtidas em Havana 1991. Pois a edição deste ano, em Toronto, marcou um feito tremendo para a modalidade no Brasil: o maior número de medalhas conquistadas pelo tênis de mesa em uma única edição pan-americana, sete no total, algumas quebrando jejuns e outras inéditas.

A final individual, por exemplo, teve uma inédita final brasileira, com a jovem revelação Hugo Calderano levando a melhor sobre o compatriota Gustavo Tsuboi. Há 20 anos o Brasil não vencia no individual masculino, que também faturou um bronze, com Thiago Monteiro. O segundo ouro em Toronto veio na final por equipes.

>>> E mais: Os feitos históricos do Brasil no Pan de Toronto

As inéditas medalhas, contudo, apareceram no feminino. Primeiro, a prata de Gui Lin, a chinesa naturalizada brasileira, no individual feminino, enquanto Caroline Kumahara ficou com o bronze nesta mesma categoria. Nunca uma atleta brasileira havia conquistado uma medalha individual nos Jogos Pan-Americanos. A sétima medalha nacional foi por equipes, também no feminino.

Se existe um esporte que não tem do que reclamar dos Jogos Pan-Americanos, é o tênis de mesa.

 

O dia em que fiquei feliz por um recorde não ser quebrado

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Pedro Pablo Pichardo completa um de seus saltos, na final do salto triplo do Pan de Toronto. Crédito: Getty Images
Pedro Pablo Pichardo completa um de seus saltos, na final do salto triplo do Pan de Toronto. Crédito: Getty Images

Nesta sexta-feira, comentando pela Record News as provas do atletismo dos Jogos Pan-Americanos de Torontotive o privilégio de ver em ação uma das grandes estrelas da modalidade no momento, o cubano Pedro Pablo Pichardo. Dono da melhor marca do ano no salto triplo, com 18,08m, Pichardo é considerado por muitos como candidato natural a quebrar o recorde mundial que já dura há 20 anos, do inglês Jonathan Edwards, com a incrível marca de 18m29.

Que Pichardo venceria a prova era uma verdadeira barbada. Ele está a quilômetros de distância de todos os demais adversários, tanto que logo no primeiro salto, ao cravar 17,29m, mostrou que só um desastre tiraria o ouro de suas mãos. Por isso, a principal atração passou a ser outra: em que momento ele iria superar o recorde pan-americano da prova, que foi batido há 40 anos por ninguém menos do que João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.

A marca histórica do triplista brasileiro, que morreu devido a uma cirrose hepática em 1999, foi obtida no Pan da Cidade do México, em 1975. Foi um salto que espantou o mundo, 17,89 m. Embora contasse com a ajuda da altitude, o fato é que enquanto esteve na ativa, ninguém ameaçou chegar perto da marca de João do Pulo, que era igualmente talentoso no salto em distância.

João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, salta para bater o recorde mundial do salto triplo. Crédito: Claudinê Petroli/AE
João do Pulo, salta para bater o recorde mundial do salto triplo, no Pan de 1975. Crédito: Claudinê Petroli/AE

A marca mundial só foi batida em 1985, pelo americano Willie Banks, quando o brasileiro já havia abandonado as competições, devido a um acidente de carro que lhe tirou uma das pernas, mas o recorde do Pan vem resistindo bravamente nas últimas quatro décadas.

>>> E mais: Pichardo chega para pulverizar os recordes no salto triplo

Em um dos meus comentários nesta sexta-feira, disse que havia uma grande possibilidade da marca ser superada por Pichardo. Até torcia para que isso acontecesse, pois daria um sabor a mais para a transmissão. Mas após queimar o  seu segundo salto, cravou 17,46 m e 17,54 m, dando a pinta de que conseguiria mesmo derrubar o recorde de João. Contudo, à medida em que a prova se desenvolvia, passei a ter um sentimento estranho, como se algo meu muito querido
estivesse sendo retirado.

Pichardo abriu mão do quinto salto e no último, cravou 17,34 m, encerrando sua participação e deixando intacto, ao menos pelos próximos quatro anos, o recorde pan-americano de João Carlos de Oliveira.

Ainda bem.

Coisas que só um Pan-Americano pode fazer por você

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“Só quero agradecer a Deus por ter saído da competição sem lesões e por ter vencido. Nenhuma outra atleta de Santa Lucia havia ganhando antes uma medalha de ouro em um Pan-Americano e foi uma grande honra poder levar esta conquista para meu país”

Levern Spencer, atleta de 31 anos, nascida na pequena Santa Lucia, ilha do Caribe, que nesta quarta-feira ganhou o ouro na prova do salto em altura feminino dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, com a marca de 1,94m. O resultado deu ao país sua primeira medalha de ouro na história da competição. Até a edição deste ano do Pan, Santa Lucia só havia conquistado duas medalhas de bronze. Pelo sorriso de Spencer, o Pan de Toronto vale muito, ao contrário do que dizem por aí.

Hóquei sobre grama do Brasil leva vaga para o Rio 2016. Dá pra festejar?

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Vitória dramática sobre os EUA deu vaga ao hóquei brasileiro no Rio 2016. Crédito: COB
Vitória dramática sobre os EUA deu vaga ao hóquei sobre grama brasileiro nas Olimpíadas do Rio. Crédito: COB

O que parecia quase impossível, aconteceu. Em um jogo extremamente nervoso, tenso e decidido somente na disputa de pênaltis, a seleção brasileira masculina de hóquei sobre grama derrotou os Estados Unidos na última terça-feira e ao assegurar um lugar nas semifinais dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, garantiu por tabela sua classificação para os Jogos Olímpicos do Rio 2016 .

Por se tratar de uma modalidade sem qualquer tradição no Brasil, o hóquei sobre grama precisou fazer um longo trabalho de iniciação, buscando atletas inclusive no exterior, com alguma ligação com o país, pela completa falta de “mão de obra”. Só que obviamente o nível técnico também estava horroroso e o time brasileiro acostumou-se a virar um saco de pancadas nas competições, mostrando um nível técnico muito abaixo de seus adversários.

>>> E mais: Veja as modalidades do Pan de Toronto 2015 que valem vaga no Rio 2016

A situação era tão complicada que a FIH (Federação Internacional de Hóquei sobre Grama) recusou-se a dar a vaga antecipada ao Brasil, mesmo sendo o país sede dos Jogos, por conta justamente da pobreza técnica das equipes masculina e feminina. As mulheres foram definitivamente excluídas das Olimpíadas no ano passado, mas os homens tiveram uma última chance: ficar ao menos entre os seus primeiros do Pan de Toronto.

Objetivo alcançado, e de forma heroica, é bom ressaltar. Agora, a dúvida que fica é se este time brasileiro terá condições técnicas de encarar a disputa de uma competição como os Jogos Olímpicos sem o risco de dar um vexame. Que o triunfo em Toronto sirva de inspiração.

A jovem princesa dourada do Pan de Toronto 2015

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A jovem americana Laura Zeng, estrela da ginástica rítmica no Pan de Toronto. Crédito: Getty Images

Somente três atletas fazem parte da lista dos maiores ganhadores de medalhas dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015, todos com cinco conquistas. Um deles, o brasileiro Thiago Pereira, o “Mr. Pan”, que tornou-se no último sábado o maior ganhador de medalhas na história do Pan. Depois, aparece a canadense Ellie Black, da ginástica artística, uma das revelações da modalidade, graças à sua versatilidade em vários aparelhos.

Mas o terceiro nome da lista, que ainda está em plena adolescência, acabou roubando a cena nos últimos dias em Toronto. A americana Lauta Zeng, de somente 15 anos, encantou a torcida na competição de ginástica rítmica. Ao contrário de Thiago Pereira e Ellie Black, teve todas as suas cinco medalhas na cor dourada: individual geral e também as provas da bola, arco, maças e fita.

>>> E mais: O baiano que encantou a torcida canadense em Toronto

Laura Zeng começou a fazer ginástica rítmica quando tinha apenas sete anos, ao trocar as aulas de dança chinesa pela modalidade onde se consagrou no Canadá. A pequena Zeng, de 1,57m, admite que a medalha que lhe deu mais prazer de ganhar neste Pan foi a do individual geral. “Estava muito nervosa no primeiro dia de competições e após minhas rotinas com as maças e a fita no segundo dia, vi que teria condições de fazer um bom torneio”, afirmou a americana, que tem um objetivo escolhido para o futuro.

“Tenho um grande sonho em poder competir nos Jogos do Rio 2016 e espero chegar até lá no ano que vem”.

Depois do que foi visto em Toronto, tem muito mais gente que tem o mesmo desejo de Laura Zeng.

 

Final de semana traz incertezas e preocupações ao basquete brasileiro

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Seleção feminina de basquete não viu a cor da bola diante do Canadá e disputará o bronze no Pan de Toronto. Crédito:COB
Seleção feminina de basquete não viu a cor da bola diante do Canadá e disputará o bronze no Pan de Toronto. Crédito:COB

A fase não anda muito boa para o basquete do Brasil. No sábado, uma reunião entre dirigentes da CBB (Confederação Brasileira de Basquete), COB (Comitê Olímpico do Brasil) e da Fiba (Federação Internacional de Basquete), realizada em Toronto, não conseguiu trazer uma solução para a questão da vaga olímpica direta ao Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Explica-se: por ter solicitado um convite para disputar a Copa do Mundo da Espanha em 2014, a CBB teria que pegar à Fiba um total de US$ 1 milhão, em duas parcelas. Só que como apenas a primeira foi paga, a Federação Internacional ameaçou não dar as vagas diretas como país-sede ao Brasil, que assim teria que disputar os respectivos Pré-Olímpicos buscando vaga.

Neste sábado, porém, nada foi decidido. Segundo Carlos Nuzman, presidente do COB e presente à reunião, foi apresentada uma nova proposta de parcelamento (mais uma?) e a Fiba teria ficado satisfeita. A decisão, porém, sairá da reunião do comitê executivo da entidade, que será realizado em Tóquio entre os dias 7 e 9 de agosto próximos. Ou seja, mais algumas semanas de angústia e incerteza pela frente.

>>> E mais: Qual Iziane está voltando para a seleção feminina de basquete?

As preocupações, porém, estão dentro de quadra. Neste domingo, na semifinal do torneio feminino dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, o Brasil não foi páreo para o Canadá. Na verdade, o time dirigido pelo técnico Zanon foi atropelado em Toronto, perdendo por 91 a 63, sem nunca ter tido qualquer chance de ameaçar as donas da casa. Agora, terá que disputar a medalha de bronze nesta segunda-feira, diante de Cuba. Desde o Pan de Havana, em 1991, a seleção feminina não fatura o ouro no basquete feminino.

Mas não foi o resultado do jogo que é o maior dos problemas. Mesmo lembrando que o time estava desfalcado das principais atletas, que estão atuando na WNBA, a liga profissional americana de basquete, a verdade é que a seleção feminina em nenhum momento da competição convenceu. E o que é pior: demonstra falhas graves, de fundamento inclusive, mesmo levando-se em conta de que se trata de um time novo, com muito pouca rodagem e experiência.

O sinal está amarelo para o basquete brasileiro.

Confira todas as medalhas do “Mr. Pan” Thiago Pereira

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Agora, de uma vez por todas, Thiago Pereira é de fato o "Mr. Pan". Crédito: Satiro Sodré/CBDA
Agora, de uma vez por todas, Thiago Pereira é de fato o “Mr. Pan”. Crédito: Satiro Sodré/CBDA

Durante muito tempo, o apelido de “Mr. Pan” era usado de uma forma até um pouco pejorativa por muita gente, inclusive jornalistas, para se referir ao nadador brasileiro Thiago Pereira. Sempre que citavam o epíteto, era com um tom disfarçado de ironia. Afinal, muitos entendiam que o atleta nascido em Volta Redonda e que ficou famoso pelo caminhão de medalhas conquistadas nos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007 era taxado de brilhar justamente apenas na competição poliesportiva das Américas, onde o nível técnico é bem mais baixo do que em Mundiais e Olimpíadas.

Pior que os resultados nos anos subsequentes apenas confirmavam os comentários maledicentes. Enquanto isso, a natação brasileira via surgir um ídolo indiscutível, Cesar Cielo, campeão olímpico e tricampeão mundial, além de recordista do mundo, sempre na prova dos 50 m livre (sem contar os títulos nos 50 m borboleta, prova não olímpica).

>>> Leia ainda: Thiago Pereira conta os dias para virar o maior medalhista do Pan

Até que vieram os Jogos Olímpicos de Londres 2012, quando de forma incrível e surpreendente Thiago Pereira levou a medalha de prata nos 400 m medley, superando ninguém menos do que o mito Michael Phelps, que ficou em quarto lugar. Para quem achava que iria ficar por aquilo mesmo, veio o Mundial de Barcelona, 2013, onde o brasileiro trouxe mais duas medalhas, bronze nos 200 e 400 m medley.

Por isso, o feito alcançado neste sábado, quando ao conquistar as medalhas de ouro (4 x 100 m medley) e prata (200 m medley) em Toronto, tornou-se isoladamente o atleta mais premiado da história do Pan-Americano, com 23 medalhas, merece ser destacado não de forma jocosa, mas como um feito importante de um dos maiores nadadores do Brasil.

Confira todas as medalhas de Thiago Pereira nos Jogos Pan-Americanos

Toronto 2015

Ouro: 4×100 m livre, 4×200 m livre, 4×100 m medley
Prata: 200 m medley individual
Bronze: 200 m peito individual

Guadalajara 2011

Ouro: 100 m costas, 200 m costas, 200 m medley, 400 m medley, 4×100 m medley, 4×100 m livre
Prata: 4×200 m livre
Bronze: 200 m peito

 Rio 2007

Ouro: 200 m costas, 200 m peito, 200 m medley individual, 400 m medley individual, 4×100 m livre e 4×200 m livre
Prata: 4×100 m medley
Bronze: 100 m costa

Santo Domingo 2003

Prata: 200 m medley individual
Bronze: 400 m medley individual

Acidente impressionante com ciclista cubana no Pan-Americano de Toronto

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A cubana Lisandra Guerra teve seu antebraço perfurado por um pedaço de madeira da pista de ciclismo de Toronto. Crédito: Reprodução
A cubana Lisandra Guerra teve seu antebraço perfurado por um pedaço de madeira da pista de ciclismo de Toronto. Crédito: Reprodução

Durante a prova de velocidade feminina no ciclismo, válida pelas quartas de final, do Pan-Americano de Toronto, uma cena impressionante assustou a quem estava na arquibancada ou via a prova pela televisão, A mexicana Luz Gaxiola e a cubana Lisandra Guerra se enfrentavam em uma das baterias, quando a roda dianteira da bicicleta da cubana tocou na roda traseira da bike da mexicana. Resultado: Guerra caiu e se arrastou por alguns metros na pista.

Ela saia em direção ao vestiário, quando a câmera mostrou uma cena terrível: um pedaço de madeira descolou-se do chão e penetrou pela pele do antebraço da cubana. Impressionante. Confira nas imagens da Record News, que transmitiu a prova para o Brasil com exclusividade. A cena do pedaço de madeira no braço de Lisandra Guerra pode ser vista por volta de 7min40s do vídeo.

Impressionante…

 

 

E o Brasil vai colecionando feitos históricos no Pan de Toronto

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Etiene Medeiros, dona do primeiro ouro da natação feminina em Jogos Pan-Americanos. Crédito: Jonne Roriz/COB
Etiene Medeiros, dona do primeiro ouro da natação feminina em Jogos Pan-Americanos. Crédito: Jonne Roriz/COB

“Estou muito emocionada. Bater o recorde pan-americano, assim como o sul-americano e ainda por cima ganhar a primeira medalha de ouro para a natação feminina do Brasil em Pans é demais”

 

Nadadora pernambucana Etiene Medeiros, em sua primeira declaração após a conquista da medalha de ouro nos 100 m costa, nesta sexta-feira, em Toronto. A primeira vez que uma brasileira sobe ao topo de um pódio da natação em Jogos Pan-Americanos.

Aliás, para um torneio menosprezado por muito gente, o Pan-Americano tem sido farto em quebrar marcas históricas no esporte brasileiro: a primeira medalha do dueto no nado sincronizado; as primeiras medalhas de prata no badminton; o incrível desempenho da canoagem e suas nove medalhas; a volta do tiro com arco ao pódio, com o bronze por equipes, após 32 anos; e a primeira medalha de ouro de uma mulher na luta olímpica, com Joice Silva, ouro na categoria 58 kg.

Nada mal, convenhamos.